segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Motivos

Por todas as crises de riso. Pelas piadas repetidas um milhão de vezes. Pelas tardes de meia no sofá. Por tudo que me ensinas diariamente. Pelo grande homem que és e pelo que te tornas a cada dia. Pelo tanto de orgulho que me enches. Pelo melhor abraço do mundo. Pelo riso mais fácil de tirar. Por tantos momentos leves. Pelos pesados também. Pelas danças de trinta segundos. Pelas horas de solidão compartilhada. Por me fazer ter no peito um tsunami. Por ser minha terra firme frente ao abismo. Pelo ineditismo dos momentos repetidos. Por fazer do respeito prioridade. Pelo cheiro que tu deixas no meu travesseiro. Pela tua paciência de monge. Por não ter desistido de nós. Por tanta coisa linda que ainda há de vir e que não cabe no texto: eu amo você. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Visita

Não lhe espero com flores nem promessas, nem mesmo a de filhos ao redor da mesa nos almoços de domingo. Minha representação de família resume-se a um retrato velho esquecido dentro da gaveta, e sobre o amor possível sei apenas o que li nos romances. Foram estes que me resgataram da desordem e deste ciclo infindável de ferir-se, cicatrizar-se e morrer aos poucos. Enquanto não chegas, me perco em lembranças ao olhar para a estante de livros que montaste na sala. Deixo aberta a porta da casa assim como a do coração, no desejo de que não demores do lado de fora. E quando chegares, não te escondas. Tire os sapatos que a visita será longa.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pra ficar

Enquanto dormes, contorno com os olhos tua silhueta inebriada. Desvendo em silêncio o mistério da magia deste encontro. Aguardo teu despertar, como quem espera um presente há muito tempo desejado. Anseio escutar tua voz, me perder nas histórias do teu mundo e me enxergar dentro de tudo aquilo que ainda não vi. O aroma do café se mistura com o perfume do teu corpo. Acaricio teu rosto com cuidado. Esqueço o relógio, tento não lembrar da despedida ao amanhecer. Mas você acorda, me envolve com teu riso, embriaga com teus olhos, me conta tuas histórias, toma o café comigo. E fica. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Morno

Nunca descobri como viver sem rompantes súbitos de "não sei o motivo mas preciso mudar isso agora". Sem essa necessidade repentina de jogar todas as roupas do armário fora e comprar outras radicalmente diferentes, de comprar um CD de uma banda que nunca ouvi falar na vida, de passar dia na praia em pleno inverno, de sair com uma pessoa nada-a-ver-com-nada-com-você, de desmarcar compromisso pra tomar cerveja em plena segunda-feira, simplesmente porque sim, porque você precisa, porque é necessário, bancar o desejo, esse susto, esse surto, esse fragmento de incoerência momentânea, esse absurdo, essa falta de nexo, essa paixão ensandecida que começa e termina quase no mesmo dia e consome a gente até o último fôlego. Porque sem essa voracidade a gente escorrega facilmente pra boca do tédio, pra boca do nada, pra boca gelatinosa de quem leva a vida sempre em temperatura ambiente, e eu aceito o ridículo, eu vivo bem com o esquisito, com a loucura e o absurdo, mas o morno, ah... o morno não me deixa respirar. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Trago todas

Neste cigarro
que carrega teu
gosto amargo

como memória
mal apagada que
levo nos dedos

é nesse gosto
teu que eu
queimo

a fumaça de
memórias que ainda
esmaece aqui

e devagar
uma a uma
trago todas.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Falhas

Todas as pessoas são falhas. 

Falhas, fracas, incompletas, contraditórias, discursos furados. Seja por suas inseguranças, por suas bagagens, por expectativa não atendidas, pouco importa: a lei da imperfeição é universal. 

Mas se falho frente à falha alheia, se perco a capacidade de me colocar no lugar do outro e de perdoar diante do erro, descartando aquele que se mostra tão fraco (e tão humano) quanto eu, quem estará falhando mais?

No fundo, não importa. Ou aprendemos a conviver com nossas limitações e as aceitamos como parte do que somos, ou estaremos fadados a amar em parcelas, com data de validade já determinado, à vencer no fatídico dia em que um dos dois falhar primeiro.

E a solidão, meu amigo, essa não falha nunca. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Duelo

Tanto tempo sem nenhum sinal teu que acredito ser melhor, assim desbravo a solidão. É nessa hora que adentras sorrateiramente os meus pensamentos e eu quase me afogo com tua presença, ouço tua voz chamando meu nome e eu corro ao teu encontro. Eu grito vai, vai embora de mim, e tão logo esmaeço, desboto meu riso e suplico não vá. Fica, por mais esta noite, pelo resto dos dias, fica aqui. E é neste negar-te que se instaura o duelo entre o anseio de esquecer e o de enlouquecer contigo.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

As cores

O tempo rouba as cores de todas as coisas. O sol, que era amarelo, ao fim do dia se esconde e transfora o céu azul em preto. As folhas das árvores, de um verde tão vivo, ao fim do outono estão queimadas e se camuflam ao chão de barro. As flores, com tantas cores, depois de colhidas também escurecem, murcham. O tempo altera a cor de tudo aquilo que já passou da validade. O dia que já nos foi cumprido. As folhas que já não nos acoberta. As flores que não mais nos encantam. E ao teu encontro, olhando nos teus olhos, compreendo com tristeza em uma fração instantânea de segundo o motivo pelo qual não vejo mais o arco-íris dentro deles. 

sábado, 17 de dezembro de 2016

Quem sou eu

Sou este ser em construção, que integra todas as vivências e experiências adquiridas no seu arsenal de histórias. Um ser sensível, que sente pelo outro, que sente com o outro, e que só sente ao encontrar com o outro. Alguém que às vezes chora, porque se permite, porque se atreve, porque se reconhece humana o suficiente para entender que nem tudo são risos. Sou alguém que está em contínua busca, daquilo que quero ser e do meu lugar no mundo. Sou ser único, insubstituível, sou tantas, sou muitas, e por toda essa singularidade tão plural, me basto.